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Saúde Bizarro

Modificações corporais como a do "Diabão" comprometem a saúde

Intervenções estéticas cirúrgicas no corpo podem fazer muito mal

15/07/2021 12h14 Atualizada há 3 semanas
Por: Redação Fonte: UOL
"Diabão" é conhecido por suas alterações do corpo

Michel Faro Praddo, o "Diabão", é conhecido pelas modificações corporais que faz. Possuindo atualmente mais de 60 modificações e com quase 85% do corpo tatuado, ele pretende entrar para o Guinness Book como o homem mais modificado do mundo. Mas será que mexer tanto com o corpo é saudável?

"Todos esses procedimentos são extremamente arriscados. Todo procedimento cirúrgico vai ter seu risco, independentemente de ser de médio ou grande porte, todos têm risco", afirma Alexandre Kataoka, cirurgião plástico e médico perito da Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo. O próprio Diabão passou por uma complicação recentemente e teve de ser levado ao hospital após os pontos de uma abdominoplastia se romperem —na cirurgia, ele também optou por remover o umbigo. Entre as modificações pelas quais Michel passou estão 17 implantes de silicone; 30 escarnificações; sete implantes transdermais; a remoção de parte do nariz, da orelha, e retirada dos mamilos e do dedo anelar; uma eyeball tatoo (tatuagem no "branco" do olho); uma bifurcação na boca, um implante dentário de prata, entre outras.

O próprio Michel afirmou que "a retirada do dedo foi feita por um amigo mexicano considerado um dos maiores modificadores do mundo". Esse tipo de ação já traz um alerta, já que a cirurgia não foi realizada por um médico. Isso porque todo procedimento cirúrgico traz um risco de infecção, principalmente se não for feito em um local adequado para isso.

"Nenhum médico vai fazer isso, você não está trazendo benefícios. O médico faz o juramento de promover saúde. Qualquer complicação que der o médico pode, inclusive, perder o CRM [registro no conselho de classe necessário para atender]", explica Fernando Amato, cirurgião plástico e membro da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica).

Pneumonia e infecções respiratórias 

A remoção de parte do nariz, por exemplo, pode trazer diversas complicações, não apenas no pós-cirúrgico como também no futuro. Além de ter uma função essencial durante a respiração, o nariz ainda protege o pulmão, evitando infecções respiratórias como sinusites e resfriados, ou ainda problemas pulmonares. Como o ar não está sendo filtrado, essa pessoa tem um risco maior para pneumonias, broncopneumonias e afins", explica Kataoka.

Já a remoção das orelhas mexe com todo o aparelho auditivo, podendo até mesmo fazer com que a pessoa fique surda. "O pavilhão auricular [parte externa da orelha] serve para direcionar o som e protege o conduto auditivo [parte interna da orelha]. Ele vai expor mais o conduto auditivo e pode ter perda de audição, tanto pelo fluxo do som não ser tão adequado, direcionado, como ele pode aumentar o risco de infecção porque não tem proteção alguma ali", diz Fernando Amato.

"Um dos riscos, por exemplo, é desenvolver uma meningite, já que ali se torna uma porta de entrada paras bactérias", complementa o médico perito. Mas não são apenas as remoções que podem trazer problemas. As escarnificações e os implantes de silicone também trazem riscos à saúde, principalmente infecções, que podem levar até mesmo à perda do órgão.

"A cicatrização ruim já é um problema, mas é exatamente o que eles querem ao fazer modificações. Contudo, isso pode perder o controle, gerar uma ferida que não fecha, uma infecção maior e prolongada, causando assim uma celulite, erisipela, ou até mesmo a perda da função de um órgão. Uma infecção mais grave na mão pode levar até a perda dela, por exemplo", explica Amato.

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