A decisão do presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, de anunciar apoio ao prefeito João Rodrigues já começa a gerar turbulência interna — e com sinais cada vez mais evidentes de desgaste dentro da sigla.
A reação mais contundente veio do secretário de Infraestrutura e Mobilidade, Jerry Comper. Integrante do governo estadual há mais de três anos, ele fez questão de destacar o espaço estratégico que o MDB ocupa na atual gestão, deixando claro que a decisão anunciada está longe de ser unanimidade dentro do partido.
Mas o episódio ganhou contornos ainda mais delicados nos bastidores.
Comper revelou ter sido surpreendido pelo cancelamento unilateral de dois eventos do MDB que ocorreriam justamente em sua base política — um movimento que, para muitos interlocutores, foi interpretado como um gesto de ruptura interna e até mesmo uma tentativa de enfraquecimento de sua influência regional.
A leitura política é direta e preocupante: o anúncio antecipado da aliança com João Rodrigues pode ter sido precipitado, abrindo uma fissura significativa dentro do MDB catarinense.
Em um cenário onde alianças ainda estão em construção e o tabuleiro eleitoral segue indefinido, decisões abruptas tendem a provocar reações imediatas. E, neste caso, o MDB começa a expor publicamente divergências que, até então, estavam restritas aos bastidores.
O risco é evidente. Caso o racha se aprofunde, o impacto pode ser direto no desenho das coligações para as próximas eleições — comprometendo não apenas a unidade interna, mas também a força eleitoral do partido em Santa Catarina.
Mais do que uma simples divergência, o momento revela uma disputa por protagonismo dentro da sigla, com diferentes alas tentando influenciar os rumos do MDB no estado.
A pergunta que permanece no ar é inevitável: o MDB conseguirá se unificar em torno dessa decisão… ou está apenas no início de uma crise interna capaz de redesenhar seu futuro político?