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Cidades homofobia

Prefeito de Criciúma será denunciado ao MPSC por discurso homofóbico

Secretaria Municipal de Educação confirmou o desligamento do professor

26/08/2021 10h13
Por: Redação
Prefeito de Criciúma será denunciado ao MPSC por discurso homofóbico

A decisão do prefeito Clésio Salvaro (PSDB), de demitir o professor de Artes que expos o clipe Etérea, do cantor Criolo, durante uma aula da Escola Municipal Pascoal Meller na manhã da última terça-feira (24), repercute em Criciúma. Um grupo denunciará Salvaro ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) por homofobia e promoverá um protesto no próximo sábado (28).

Em manifestação sobre o tema na noite desta quarta-feira (25), quando confirmou a demissão do professor, Salvaro usou o termo "viadagem" para definir o que, na sua ótica, estava ocorrendo em sala de aula. - Já estou determinando a imediata exoneração daquele professor - avisou. - Nós não permitimos, não toleramos - disse. - Essa viadagem na sala de aula nós não concordamos - completou. Em nota, a Secretaria Municipal de Educação confirmou o desligamento do professor e que o conteúdo por ele oferecido não constava no plano de aula e era considerado "inadequado".

Há uma versão mais recente de que o professor não teria sido demitido, ao contrário do que o prefeito informou, mas sim pedido desligamento do cargo. Ele encontra-se bastante abalado, está recebendo assistência psicológica e jurídica e avalia a possibilidade de mover ação contra o prefeito.

 

"Constrangedor para Criciúma"

Para a vereadora Giovana Mondardo (PCdoB), que lidera o grupo que monta a denúncia contra Salvaro ao MPSC, "esse assunto é constrangedor para Criciúma". - Me deparei com o vídeo do prefeito Salvaro preocupado com um clipe premiado pelo Grammy, apresentado por um professor de Artes para alunos de 14 e 15 anos retratando arte, o que é convencional e natural da vida em sociedade - pontuou.

A vereadora lembrou que os alunos são de nono ano da escola municipal. Ela apontou que Salvaro se esquiva de temas urgentes do cotidiano. - O termo que ele utilizou, que essa viadagem não será tolerada em sala de aula, além de homofóbico caracteriza um prefeito que abriu mão das pautas urgentes. Segundo o Ministério da Cidadania, são mais de 10 mil pessoas vivendo em situação de miséria aqui na cidade. Temos problemas sérios de desemprego, da vida real, que vão além da pandemia - afirmou.

 

Giovana recordou que não se trata de um caso isolado. - Em 2017 o prefeito já havia feito declarações assim - sublinhou. - O PCdoB e entidades como União Nacional LGBT, ABGLT, Mães pela Diversidade e OAB Diversidade também se posicionaram contra as falas preconceituosas do prefeito e também devem entrar judicialmente contra o prefeito de Criciúma - completou a vereadora.

"A gente não está mais na Idade Média"

 

Um ato está sendo organizado para o próximo sábado, diante da prefeitura de Criciúma a partir das 14h. - Esse episódio mobilizou muitos jovens, homens e mulheres que se comprometem com o que falta, amar sem barreiras, superar o preconceito. A gente não está mais na Idade Média e talvez alguém tenha que avisar o prefeito, talvez tenha que ser eu - emendou Giovana.

 

Prefeito disse mais: "palhaçada"

Depois de o caso ter vindo à tona, a partir de denúncias de pais dos alunos envolvidos, o vereador Obadias Benones (Avante) procurou o prefeito para informa-lo. Benones postou vídeo nas redes sociais ao lado de Salvaro abordando o tema na noite desta quarta.

- Tivemos uma situação desagradável em uma escola nossa, alguns pais nos procuraram - disse o vereador. O prefeito parabenizou o parlamentar. - Eu estava em Florianópolis, retornei e tomei a providência. Ele foi demitido imediatamente, nós não toleramos esse comportamento inapropriado, dessas imagens erotizadas - reforçou. - Escola é lugar para aprender outras coisas, não essa palhaçada - destacou Salvaro.

 

Obadias Benones é jornalista e pastor evangélico, além de vereador em primeiro mandato e foi dele o projeto aprovado na Câmara e que tornou-se lei na semana passada em Criciúma, que proíbe o ensino de linguagem neutra em escolas municipais.

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