
Uma investigação do Ministério Público de Santa Catarina revelou um esquema chocante de corrupção dentro do Presídio Masculino de Lages. Segundo a denúncia, o então diretor da unidade teria se aliado a um detento e à esposa dele para negociar benefícios ilegais em troca de presentes de luxo e serviços.
A operação, batizada de Operação Carne Fraca, desmantelou o suposto esquema no fim de fevereiro, após meses de investigação conduzida por forças especializadas no combate ao crime organizado e à corrupção.
De acordo com o Ministério Público, o diretor teria concedido vantagens como facilitação de visitas, transferência entre presídios, reversão de punições disciplinares, redução de pena e até tentativas de influência indireta no Judiciário. Em troca, recebia carnes nobres, uísques, vinhos e serviços em uma boate.
Os promotores afirmam que não se tratava de favores isolados, mas de uma relação contínua e estruturada, baseada em confiança, troca de benefícios e acordos clandestinos — um sistema paralelo funcionando dentro da própria administração do presídio.
O diretor foi preso preventivamente e afastado do cargo. O detento, que estava em liberdade condicional, voltou à prisão por determinação judicial para garantir o andamento do processo.
Os três acusados agora respondem por associação criminosa e corrupção, em um caso que, segundo o Ministério Público, representa uma grave quebra de confiança nas instituições e um exemplo de como o poder público pode ser corroído por interesses pessoais quando a lei é ignorada.